Professor brasileiro é indicado ao 'Nobel da Educação'
O capixaba Wemerson Nogueira tem apenas 26 anos. Em cinco anos dando aulas na rede estadual do Espírito Santo para alunos do Ensino Fundamental e Médio, ele acumula prêmios pelos projetos educativos que desenvolveu. E agora, é um dos 50 finalistas do Global Teacher Prize, considerado o "Nobel da educação".
É a segunda vez que brasileiros fazem parte da lista de finalistas divulgada pela ONG Varkey Foundation.
Em 2016, além de Wemerson, o professor amazonense Valter Pereira de Menezes também é considerado para o prêmio de US$ 1 milhão, entregue a "um professor excepcional que tenha feito uma contribuição extraordinária para a profissão".
Para Wemerson, que ensina Química e Ciências na cidade de Boa Esperança, o segredo do sucesso está em motivar os alunos, descobrindo como eles gostariam que o conteúdo fosse abordado na sala de aula - ou fora dela.
O nome do vencedor será anunciado em março, durante um evento em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Rio Doce
No início das aulas em 2016, em sua consulta com os alunos da 8ª série da Escola Estadual Antônio dos Santos Neves, ele percebeu o impacto do rompimento da barragem em Mariana, que havia ocorrido em novembro de 2015.
"Estamos muito perto de Colatina (MG) e de Linhares (duas das cidades atingidas pela lama que desceu o rio Doce). Os alunos só falavam disso e queriam aulas práticas de Química. Então pensei em levá-los para fazer uma pesquisa científica de campo, em Regência (ES)."
"Os alunos choravam muito ouvindo as histórias dos moradores afetados pela lama. Aí não era mais só entender a Química, era tentar ajudar a população. Voltamos para a escola transformados", relembra.
Após fazer parcerias com laboratórios, os alunos fizeram análises de amostras da água do rio Doce para estudar os elementos da tabela periódica - entre eles, os metais pesados encontrados no rio. Um deles teve a ideia de desenvolver um filtro para purificar a água usada pelos moradores.
"É um filtro à base de areia que deixa a água transparente, própria para o uso doméstico e agrícola, porque é 75% potável, com base em uma portaria do Ministério da Saúde", explica Wemerson.
"Levamos os filtros para a comunidade de Regência, muitos ribeirinhos que não tinham água para nada receberam o filtro. Agora ele está sendo replicado em diversas comunidades e ficou conhecido nacionalmente. Nós fomos a primeira escola pública a tomar uma atitude em prol das 3 milhões de pessoas afetadas pela tragédia do Rio Doce."
O projeto "Filtrando as lágrimas do Rio Doce" deu ao professor seu primeiro prêmio nacional, o Educador Nota 10, concedido aos dez melhores educadores do Brasil. A partir daí, ele passou a sonhar com o reconhecimento internacional.
'Guerreiro'
Sua chegada aos 50 melhores do mundo, diz ele, deveria ser exemplo para o país. "Eu me sinto um guerreiro sendo professor. A educação está vivendo um momento muito difícil com a aprovação dessa PEC (55, que determina que os gastos com políticas sociais, em especial educação e saúde, sejam apenas corrigidos pela inflação do ano anterior dentro dos próximos 20 anos, não recebendo aumento conforme previsto na Constituição de 1988)."
"Os professores de escola pública precisam de investimento dobrado e merecem uma boa estrutura. A educação não pode ser paralisada para que futuramente venha a ter investimentos melhores. O investimento precisa ser priorizado agora, nesse momento", afirma. (Da BBC Brasil)


