Governo do Tocantins destina 350 mudas de espécies nativas do Cerrado para o reflorestamento na aldeia Catàmjê, em Lagoa da Confusão
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), participou, nessa terça-feira, 7, da capacitação sobre reflorestamento de áreas degradadas pelo fogo e outros fatores dentro da aldeia indígena Catàmjê, pertencente a etnia Krahô-Kanela, localizada a cerca de 38 km do município Lagoa da Confusão.
O encontro foi a primeira etapa de execução do projeto lançado via edital pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que contemplou a aldeia com um recurso na ordem de R$ 50 mil para o reflorestamento, construção de um viveiro e a instalação de uma casa de apoio dentro da aldeia.
A Semarh e o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) destinaram cerca de 350 mudas de espécies nativas do Cerrado que darão início ao reflorestamento na aldeia. Segundo o engenheiro florestal da Semarh, João Noleto, a doação é uma parcela de contribuição que tem a finalidade de fomentar na comunidade a ideia de preservar áreas por meio de políticas públicas voltadas ao meio ambiente.
O cacique Wagner Katamy Krahô-Kanela, líder da aldeia indígena Catàmjê, ressaltou que os trabalhos ligados à preservação do meio ambiente realizados em parcerias beneficiam toda a comunidade. "A capacitação realizada hoje tem, dentre outras finalidades, o objetivo de orientar o nosso povo sobre a forma adequada para a coleta de sementes e plantio das mudas, além de nos aproximar das instituições que no futuro vão auxiliar nos trabalhos desenvolvidos por nós”.
O encontro contou com a participação do diretor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Lagoa da Confusão, Lucas Pazolini, que frisou a movimentação rotineira do povo indígena da região em prol do meio ambiente. “Estamos sempre em contato com a comunidade e percebemos o anseio dela em procurar melhorias no poder público, e essa capacitação retrata bem isso, o cuidado que ela tem com a área onde vive e preserva com responsabilidade”.
As áreas que serão reflorestadas dentro da aldeia ficam localizadas nas margens do Rio Formoso e próximas ao lago vermelho. A previsão é que sejam plantadas até o final do projeto 2 mil mudas de árvores em um território de 4.5 hectare com plantas nativas do Cerrado. Atualmente a comunidade já tem cerca de 20 kg de sementes de jatobá e, em janeiro, terá início a colheita das mudas de landi.
Krahô-Kanela
O povo Krahô-Kanela está localizado na terra indígena entre os rios Formoso e Javaés, local conhecido como mata alagada, situada a 38 km da do município Lagoa da Confusão. Atualmente conta com duas aldeias, a Lankraré e a Catàmjê. A área foi demarcada em 2007 e, desde então, tem sido trabalhada a valorização cultural, vigilância do território, proteção, combate ao fogo e o reflorestamento por meio da semente. Todo trabalho é realizado pela Associação do Povo Indígena Krahô-Kanela Aldeia Indígena Catàmjê (Apoinkk).


