• Palmas - TO, 12.05.2026

Anarley Barbosa e seu filho Marcos. Criança tem que levar merenda de casa ou dinheiro para comprar lanche

  • Cidades
  • 27/06/16 11:46

Falta merenda, transporte e livros didáticos na rede pública

Enquanto nossa equipe de reportagem esteve na cidade de Guaraí, a 180 quilômetros ao Norte da capital Palmas, diversos pais de alunos nos procuraram para relatar um problema grave, que vem ocorrendo desde o início do ano na rede pública municipal de ensino, a qualidade da merenda escolar e a redução na quantidade de refeições dos alunos.


Segundo a mãe de N.R. de seis anos, aluna da escola Leôncio de Sousa Miranda, até 2015 a escola oferecia almoço para todas as crianças, mas desde o início deste ano elas estão sendo liberadas às 11 horas da manhã, sem almoçar. A mãe relata que apenas em alguns casos, de crianças que moram na zona rural, o almoço continua sendo oferecido e as crianças são liberadas às 15 horas. “Desde o início desse ano as crianças recebem um lanche na hora que chegam, que na maioria das vezes é só um mingau, leite ou bolacha”, afirma a mãe, que para evitar que sua filha fique com fome envia lanche de casa.


A mãe revela ainda que diferentemente dos anos anteriores, em 2016 chega a faltar material escolar e também teve que comprar o uniforme da sua filha. “Uma das professoras me disse que não estão oferecendo almoço por falta de comida, que dá apenas para aqueles que moram na roça e que às vezes não consegue ministrar as aulas como gostaria por falta de material didático adequado para as crianças”, denuncia.


A mãe de E.S.G. de três anos matriculada Centro Educacional Infantil Aquarela, disse que a criança chega na escola às 7h e saí às 14h. Segundo a mãe a merenda de manhã é leite com bolachas, ou cuscuz, ou apenas um pedaço de bolo. Já o almoço é arroz com feijão e carne, mas essa última nem sempre tem.

 

Superlotação
Outra mãe, que preferiu não se identificar por medo de represálias reclamou da superlotação da Escola Sossego da mamãe e da falta de livros didáticos. Segundo ela as salas chegam a ter 40 alunos, o que prejudica o aprendizado das crianças, já que o professor não consegue controlar como deveria a turma. “Trabalho na área pedagógica e sei que uma sala como a do meu filho, que está no terceiro ano primário deveria ter, no máximo, 20 alunos, além de um auxiliar para ajudar o professor. Mas, ao invés disso, a sala tem 40 crianças e o professor fica sozinho. Sem falar que não foram disponibilizados livros para todos os alunos e muitos estão tendo que partilhar os livros com os colegas, o que atrapalha ainda mais a evolução intelectual deles.


Uma outra mãe tem dois filhos que estudam na escola Maria do Socorro Coelho Silva, M. e E. Segundo as próprias crianças eles não gostam da merenda e preferem levar a comida de casa ou que a mãe lhes dê dinheiro para comprar. “A merenda é muito ruim. Na maioria das vezes é leite com biscoito no lanche e nem sempre o almoço tem carne. Um dia desses almoçamos só arroz com farofa. Nenhum dos colegas gosta, mas quem não compra ou leva de casa acaba comendo para não ficar com fome”, afirma M. que tem 10 anos e faz a quarta-série.

 

Transporte
O transporte escolar em Guaraí também não passa pelos seus melhores dias. Recentemente alunos de vários assentamentos e comunidades rurais ficaram sem transporte escolar por falta de ônibus. Segundo alunos e pais, que preferem não ter o nome revelado por medo de represálias, os motoristas teriam dito que os ônibus pararam de circular ou porque estavam em manutenção e ou estavam sem combustível. “Meus dois filhos ficaram uma semana sem ir na aula e o que disseram para nós quando o ônibus voltou a circular é que a prefeitura estava sem dinheiro para colocar combustível nos ônibus, o que é uma vergonha, pois a gente sabe que esse dinheiro já vem lá do Governo federal e não deveria faltar nada”, afirma uma mãe.

 

Resposta
Procurada por nossa reportagem na manhã da última sexta-feira, dia 24, a secretária Crisalba Guimarães disse que não iria responder nada verbalmente e pediu que enviássemos um e-mail com as perguntas. Até o fechamento desta edição, na sexta-feira, às 20 horas não havia chegado a resposta para as nossas perguntas. O espaço continua aberto.

 

NOTA DA REDAÇÃO

Após a publicação desta matéria várias mães entraram em contato conosco pedindo para ter o nome retirado da reportagem devido a ameaças de retaliação que estariam sofrendo por parte de pessoas atingidas diretamente por esta matéria. O Jornal Folha Capital reafirma seu compromisso com a verdade e com a justiça e já colocou à disposição das famílias os advogados da empresa no sentido de darem todo o suporte para as famílias. Inclusive com a instauração de denúncias e processos judiciais contra aqueles que não admitem terem seus interesses contrariados e querem manter o status quo das coisas para continuarem com suas mazelas, ameaçando quem contraria os seus interesses.